Atuação Clínica


Além dos objetivos pessoais, a meta final da psicoterapia é sempre promover o bem-estar do individuo, em quanto a sua saúde mental ou emocional.

Destinada a pessoas que buscam crescimento pessoal através do autoconhecimento assistido e resolução de algum conflito ou entendimento de algum sentimento.

Indicada para aquelas pessoas que estão sofrendo e se sentem mal, seja porque estão movidas por imensas tristezas, confusões, conflitos, frustrações, ansiedades, angustias e/ou preocupações. Muitas vezes, o mal-estar surge seguido de algum acontecimento desagradável ou difícil, por exemplo, o falecimento de um ente querido, um processo de separação, um acidente, uma doença, uma insatisfação pessoal ou até mesmo laboral. Geralmente, se procura a ajuda de um profissional depois de várias tentativas de elaborações frustradas e a pessoa já chega ao consultório com o problema saturado, inclusive às vezes pode chegar até sem esperanças ou muito cansada, desgastada.

O psicólogo, com sua escuta especializada, busca primeiramente acolher o sofrimento, entender-lo e conhecer-lo. O psicólogo não julga, não aconselha e não impõe seu ponto de vista. Ele procura ajudar. Como? Respeitando a individualidade de cada um, abrindo as perspectivas desde um olhar de fora e junto com a pessoa, busca alternativas de resolução, compreensão dos sentimentos e das ações que, em muitas das vezes, estão desencontradas.

A história e a experiência de cada um modelam a forma do comportamento e do pensamento, certas crenças são criadas e certos padrões de sentimentos e condutas se tornam habituais, de tal maneira que sempre visam o equilíbrio ou a homeostase. Por isso, as mudanças não são fácies porque implica mexer em um sistema interno que já está acostumado a funcionar, bem ou mal e em crenças que já estão pré-estabelecidas e bem acomodadas. No caso de algum evento externo que abala o equilíbrio, a evidência de uma necessidade de um novo ajuste fica mais aparente, mas nem sempre é necessário que haja um evento externo, tão simplesmente, como a consciência ou percepção de algo difícil de ser aceito pode ser mais que suficiente.

O processo de psicoterapia também não é fácil porque envolvem mudanças, lembranças às vezes sofridas, novos ajustes de forma de ser, de pensar e sentir. O terapeuta procura cuidar dessas dificuldades, estando junto no processo com a pessoa e se comprometendo eticamente a manter o sigilo necessário e o tão importante acolhimento. O resultado do processo psicoterapêutico é factível de alivio, liberação, entendimento, aceitação, crescimento e finalmente saúde.

Para começar uma terapia é necessária muita disposição, entrega e compromisso. O sucesso do processo de terapia é determinado, sobretudo, pelo paciente!

A psicoterapia infantil, em geral, tem os seguintes objetivos:

  • Alcançar a maduração emocional da criança, isto é, que a criança assuma mais responsabilidades em sua vida, ampliando suas formas ou ferramentas de enfrentar a vida e suas duras provas.
  • Melhorar o conhecimento de si mesmo.
  • Adquirir capacidade de entendimento e conscientização.
  • Aceitação de si mesmo.
  • Reduzir defensas patológicas.
  • Desenvolver ótima relação com os outros e seu entorno.

De maneira mais específica pode compreender os seguintes objetivos:

  • Que a criança sofra menos.
  • Superação de traumas.
  • Adaptação a eventos da vida.
  • Enfrentamento de doenças e seguimentos de tratamentos correspondentes.
  • Dominação de fobias.
  • Melhores possibilidades na vida escolar, em quanto à aprendizagem e aproveitamento.
  • Adequação de impulsos agressivos e/ou sexuais.
  • Aceitação de alguma limitação física, de aprendizagem, entre outras.

Em geral, a psicoterapia infantil é indicada quando aspectos emocionais interferem no comportamento da criança. As sessões são geralmente uma vez por semana, com 50 minutos de duração. Em alguns casos, a terapia pode ser indicada duas vezes por semana.

A psicoterapia infantil se dá por meio de jogos e orientação aos pais.

O jogo funciona como instrumento de comunicação entre o terapeuta e a criança. Jogar faz parte do mundo infantil e é a forma mais natural da criança se expressar e entender.  Através do jogo, o terapeuta pode compreender o que a criança sente e pensa e dessa forma, pode ajudá-la a representar essa “coisa” em “palavra”, o que lhe irá possibilitar o “simbolizar”.

Estes jogos terapêuticos não têm propósitos recreativos ou educacionais.

No contexto da terapia de jogo, também conhecida como psicoterapia lúdica, o jogo adquire importantes funções que visam favorecer o desenvolvimento integral da criança nas áreas:

Psicomotora  

Na área psicomotora o jogo estimula o controle neuromuscular, desenvolve a coordenação motora fina e grossa, diminui os níveis de stress, promovendo relaxamento, como também, estimula a área sensorial e organiza as sensações.

Cognitiva

Na área cognitiva o jogo desenvolve a capacidade de conservação, ajuda a descentralizar no sentido que amplia alternativas de soluções ou a descontextualizar quando, por exemplo, o que é uma floresta pode se tornar um campo de batalha ou ainda um mar, isso lhe ajuda a encontrar diferentes soluções. O jogo também promove nessa área cognitiva a integração de experiências e ajuda a modificar comportamentos, através de habilidades de classificação, reversibilidade e empatia. A criança pode descobrir o efeito de sua ação, bem como pode conhecer as propriedades e natureza dos materiais. Ajuda a resolver problemas e a habilidade para tomar decisões, gera pensamento divergente, explora a criatividade e a diferença entre realidade e fantasia.

Emocional

Na área emocional, o jogo permite a expressão e desenvolvimento do controle das emoções. Sentimentos negativos e positivos encontram formas de expressão. A criança pode experimentar alternativas de soluções. Pode aprender a separar experiências dolorosas e prazerosas e também a integrar-las. Sua tolerância a frustração melhora e suas ferramentas de controle da ansiedade podem ser aprimoradas. O jogo auxilia a criança a formar um conceito de si mesma e melhora, por conseqüência, a auto-estima.

Social

Na área social, o jogo ajuda a comunicação, o sentido de cooperação, participação e competição. Favorece o desenvolvimento moral, integrando valores. Ensaia modos e modelos de relação através de papeis interpretados.

 

A orientação aos pais (ou de quem cuida da criança) se dá de acordo às necessidades da criança e funciona como um apoio. Não é terapia para os pais e não está em função de julgamentos. Sabe-se que muitas vezes os pais chegam com culpas ou medo de que “erraram”, não cabe ao terapeuta apontar e alimentar seus medos ou culpas, e sim que acolher-los e entender-los para possam melhorar e aprimorar suas funções paternas. As orientações aos pais acontecem periodicamente, segundo as necessidades e possibilidades.

Em casos específicos o terapeuta pode se comunicar com outros profissionais envolvidos na problemática da criança, por exemplo, professores ou diretores da escola ou médicos responsáveis.

A psicoterapia infantil está dividida em três etapas e o processo tem uma duração relativa, de acordo à necessidade e os tempos de mudanças individuais. Em casos particulares, também pode ser realizado de maneira breve e pontual, determinado por certo número de sessões.

Primeira etapa: o psicodiagnóstico. O psicólogo conhece a problemática detalhadamente e o histórico da criança, pode aplicar alguns testes que considerar necessário e se realizam sessões de jogo diagnóstico. Uma devolutiva acerca do psicodiagnóstico é feita com os pais, seguida da proposta de tratamento ou encaminhamentos que podem ser requisitados.

Segunda etapa: o tratamento propriamente dito. Uma vez que tenha sido certificada a necessidade de psicoterapia, se inicia o tratamento com a criança através da terapia de jogo, paralelamente se realiza as sessões de orientação aos pais e acompanhamento do processo de terapia, onde se avalia, constantemente, as melhorias, as limitações e novos focos de intervenção que podem ir surgindo.

Terceira etapa: a finalização do processo. Seria a alta da terapia, quando se espera que os objetivos propostos tenham sido alcançados com sucesso. São realizadas sessões de despedida, em que se integra todo o processo e se avaliam as mudanças. Algumas sessões de seguimento podem ser sugeridas de acordo à necessidade a fim de garantir os resultados positivos.

Para que a terapia seja realizada com sucesso é necessário compromisso por parte dos responsáveis pela criança que devem levar-la sempre com a devida freqüência e pontualidade. À diferença de um adulto que assiste sua terapia de livre e espontânea vontade, a criança não pode ir sozinha, depende que um adulto identifique seu problema e a leve ao psicólogo. Este é um convite para que pais (professores e médicos) estejam atentos à saúde mental e emocional da criança que lhes preocupa e que saibam que existe o recurso de um atendimento especializado.

 

 

A família não causa o problema na criança, no entanto, as interações entre os membros da família podem estar relacionadas com o comportamento da criança.

Quando o tratamento é somente centrado na criança, sua problemática pode diminuir, mas esta é passível de voltar, caso as interações familiares continuarem disfuncionais e não forem tratadas.

Vale mencionar que nem todos os problemas das crianças estão relacionados com famílias disfuncionais!

A Terapia Familiar desenvolve o acesso da criança na sua melhor fonte de cura que é: a família. Não somente serve para ajudar a criança, como também para fortalecer toda a família e as próximas gerações.

Ao invés de ver a criança como um problema, a família é convidada a enfrentar o problema junto com a criança. Cada ponto de vista sobre o problema é compreendido e validado, cada um possui sua verdade dentro de sua perspectiva. Uma das principais tarefas do terapeuta é articular os diversos pontos de vista, mesmo que estes pareçam contraditórios. Nesse sentido o terapeuta pode ser entendido como um mediador ou facilitador da comunicação e relação familiar.

A meta da terapia é negociada constantemente e com todos os membros da família.

O terapeuta:

  • Negocia a meta da terapia;
  • Eleva a voz da criança para que sua perspectiva seja escutada;
  • Ajuda os membros da família a diminuir suas atitudes de culpa ou acusação;
  • Identifica fortalezas individuais e da família;
  • Escuta a historia da problemática, colocando atenção especial nas crenças da família, temas, tipo de linguagem, tentativas de soluções, aspectos culturais e geracionais que possam estar relacionados com o problema;
  • Interessa-se por todo o contexto social que a criança está inserida, ao mesmo tempo, que busca modificar suas formas de interação social de acordo a seu meio.

Em tempos de intensas discussões sobre a inclusão de pessoas com deficiência em diferentes âmbitos da sociedade, as atenções ficam voltadas às estratégias utilizadas para cumprir com este objetivo de forma eficaz e efetiva.

Considerando-se as esferas desenvolvimentais individuais e possíveis fatores sociais influentes, o trabalho de orientação à profissionais visa auxiliar tanto as instituições educacionais na transmissão de conteúdos aos alunos com necessidades educacionais especiais e na efetivação da inclusão escolar, quanto os profissionais clínicos, na compreensão das individualidades e na elaboração e execução de planejamento terapêutico visando estimular o pleno desenvolvimento das capacidades de seus pacientes.

Na busca e construção de uma nova realidade de aceitação incondicional e pertencimento, as instituições de ensino desempenham um papel de suma importância. Conceitos sobre si, identidade pessoal e sensação de pertencimento no mundo são construídos nas instituições de ensino, graças ao processo interativo da socialização. Nas escolas são adquiridos, além de conhecimentos formais e acadêmicos, princípios éticos e morais que exercem influência direta no desenvolvimento e perpetuação da sociedade.

O verdadeiro foco do processo inclusivo e da melhoria na qualidade da educação reside na observação dos potenciais e necessidades individuais de cada estudante, ao invés de se focar em características de defasagens e deficiências globais.

A educação inclusiva correlaciona-se atualmente, intimamente, com universalização da educação, implicando em um processo de reconhecimento e valorização das diversidades humanas, sejam elas de natureza étnica, de gênero, deficiência, religiosas, de orientação sexual, culturais, entre outras. Mudanças de perspectivas e paradigmas sociais, naturais do processo de desenvolvimento humano e social, incitam e exigem adaptações à novas realidades e contextos.

A universalização da educação, através da educação inclusiva, vem ao encontro da demanda por uma evolução na situação social, característica do contexto da pós-modernidade. Neste contexto, a aceleração avassaladora das tecnologias e a expansão na compreensão de mundo e humanidade desencadeiam mudanças de entendimento e paradigmas, que passam a questionar e rever conceitos, formalismos, terminologias, entre outros, buscando aproximar-se gradualmente de uma convivência plural e harmônica em sociedade.

Historicamente vivenciamos ensaios inclusivos que partiam de pressupostos equivocados de tentativa de normalização de diferenças, desigualdades e deficiências, negando por princípio a singularidade e peculiaridade do ser. Na concepção atual, diferenças, desigualdades e deficiências são entendidas como fenômenos inerentes à relação do indivíduo com seu meio físico, social e político, na qual dificuldades e limitações evidenciam-se no momento em que são encontrados obstáculos ou barreiras no ambiente físico e social.

O trabalho de Orientação à Profissionais da área da Educação visa amparar, equipes e instituições, no proceso de eliminação de obstáculos e barreiras nos ambientes físicos e sociais. Através de palestras, workshops, cursos de formação[1] e/ou supervisão continuada tal trabalho visa sensibilizar, conscientizar e instrumentalizar profissionais e instituições educacionais a fim de consumar a Inclusão escolar como uma filosofia social que ofereça embasamento e sustentação ao ensino reflexivo e eficaz, pormenorizando o sistema educacional com o intuito de atender às necessidades, especiais ou não, de todos os alunos.

Nos tempos atuais de busca pelos mais eficazes tratamentos e intervenções, diferentes linhas de pensamento defendem suas visões acerca dos desencadeadores dos distúrbios do desenvolvimento. Em linhas gerais, o entendimento dos distúrbios, suas causalidades e particularidades, guiarão as formas de intervenção. Respeitando-se as variações individuais de cada pessoa em resposta às intervenções e tratamentos às quais foi submetida, os efeitos dos tratamentos e intervenções denotam resultados específicos intrínsecos aos objetivos de cada terapia que, por sua vez, embasam-se na linha de pensamento particular da terapêutica adotada.

O trabalho de Orientação à Profissionais da área da Saúde vem ao encontro da necesidade premente de constantes atualizações e reflexões sobre a prática dos atendimentos em saúde. Através de palestras, workshops, grupos de estudos, cursos de formação e/ou supervisão continuada tal trabalho visa sensibilizar, conscientizar e instrumentalizar profissionais da área da saúde a fim de promover qualificação profissional e, por fim, atendimento eficaz e pleno das necessidades individuais de seus pacientes.

Temas:

Desenvolvimento Infantil

Autismo – Distúrbio Global do Desenvolvimento

Distúrbios Emocionais

Distúrbios de Aprendizagem

Inclusão Escolar

Tutoria Clínico-Escolar

No anseio de acolher e atender os diversos diagnósticos e pessoas com deficiência, diferentes estratégias terapêuticas têm sido adotadas no âmbito escolar. O trabalho de acompanhante terapêutico tem se tornado cada vez mais usual nos ambientes escolares, e surgiu da necessidade de incluir, nesses mesmos ambientes, as crianças com distúrbios do desenvolvimento.

A tutoria clínico-escolar se baseia nas dificuldades vividas no ambiente escolar com crianças com quadros patológicos, e nas tentativas malsucedidas de implementação de outras técnicas de inclusão. Tal estratégia parte de investigações neurofuncionais e neuropediátricas, tanto psiquiátricas quanto psicopedagógicas, para compreender o quadro clínico e assim oferecer as intervenções mais adequadas para cada caso.

O escopo da tutoria clínico-escolar é a inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais no contexto educativo-social, auxiliando-as na compreensão de regras sociais para convivência em grupo/sociedade e na adequação dos comportamentos, e na aquisição de conteúdos escolares formais. Almeja-se, a partir do trabalho de tutoria, atingir uma mudança de atitude na esfera da aprendizagem, na qual conhecer, fazer, viver com e ser, tem como resultante a autonomia e o desenvolvimento integral das potencialidades de cada indivíduo.

Na prática, mediante demanda da instituição escolar e/ou dos pais da criança e após a realização de bateria de exames e avaliações médicas e clínicas, considera-se a necessidade da introdução de um trabalho de tutoria clínico-escolar que é então desenvolvido no ambiente escolar no qual a criança está inserida, acompanhando-a durante todo o período letivo em que a mesma permanece na escola. O tutor estabelece para a criança beneficiária do trabalho, em concordância com a instituição escolar, uma rotina significativa, de forma integrada e organizada que, ao ser compreendida e internalizada, se torna um porto-seguro e oferece sensação de segurança e controle para a criança, que passa a entender como deve-se proceder nos diferentes momentos e ambientes da escola. A intervenção perdura o tempo necessário para a criança adaptar-se às regras sociais e ambiente escolar, e aspira como resultado a demonstração de uma evolução da criança nos conteúdos conceituais e procedimentais, bem como na parte atitudinal, conseguindo manter, de maneira independente e autônoma, a adequação dos comportamentos e a internalização e habilidade de cumprimento de regras sociais.